quinta-feira, 13 de janeiro de 2011



Mãos no bolso, ombros caídos, olhar no chão.
Saio a caminhar pelos mesmos lugares que passeávamos juntos
.
Sopra o vento causando arrepio.
Sob meus pés um vasto tapete de folhas e flores que vão caindo das árvores num balanço tristonho.
É o outono anunciando que em breve o inverno chegará.

Meus pés em passos ligeiros como a querer fugir, vão seguindo sem parar.

No coração solitário só saudade batendo apressado tua presença a reclamar.
Você onde está?
Quem dera se através do vento pudesse me transportar.
Meu olhar triste e vazio iria te falar:
Venha estou a te esperar!

Em 1981




Olho ao meu redor e vejo o mundo em movimento.
Saio por ai, vou caminhando lentamente observando cenas a passar por mim.
Pensamentos e indagações invadem minha mente.
De onde venho?O que se passou? Pra onde vou?
Uma história fragmentada e reformada.
Tenho tanto pra falar pois existe um mundo inteiro gritando dentro de mim.
Mas não sei se algum dia alguém vai me escutar.
O mundo me esqueceu.
Estive prisioneira durante anos.
Representava um personagem.
Chorava as escondidas a dor de não poder ser eu mesma.
Finalmente hoje sou livre, abatida me dou conta que já nem sei mais quem sou.